Quais as mudanças trazidas pelo PLD Horário

Cobrança com variações a cada 24 horas, o PLD Horário, entrou em vigor no início de 2021: em 2025, os limites mínimo e máximo serão, respectivamente, de R$ 58,60/MWh e R$ 1.542,23/MW/h
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Em vigor desde 1º de janeiro de 2021, o Preço de Liquidação das Diferenças será horário (PLD Horário) e não mais semanal, o que exige mais planejamento para empresas que adquirem energia do mercado livre. Há muitos anos discutia-se a mudança na forma de precificar a energia, visando alinhar os custos à realidade de todo o sistema para aquele momento.
Até o fim de 2020, adotava-se o custo tomando como base por semana-patamar, calculado todas as sextas-feiras, com o valor sendo adotado para os 7 dias subsequentes dentro dos patamares leve, médio e pesado (conforme a demanda do sistema). Desde o início de 2021, esse cálculo se baseia nas últimas 24 horas e vale para o dia seguinte.
Com as mudanças de preço dentro de 24 horas, estima-se que surgirão novas oportunidades de negócios e o incentivo a investimentos em tecnologias, como o armazenamento de energia e novos processos fabris, visando aumentar a competitividade – o que é importante especialmente nas indústrias, nas quais a energia pode responder por até 40% do custo da produção, conforme o segmento.
Para 2025, os limites mínimo e máximo do Preço de Liquidação de Diferenças serão, respectivamente, de R$ 58,60/MWh e R$ 1.542,23/MW/h. Esse custo é determinado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), levando em consideração a necessidade de reposição inflacionária e outros fatores.
Mas o que significam os valores previstos no PLD Horário?
De forma simples, mesmo que o custo da energia esteja abaixo do patamar de R$ 58,60/MWh, este será o valor mínimo de venda. Isso visa assegurar a estabilidade e a previsibilidade para os agentes envolvidos em negociações. E a mesma lógica se aplica ao PLD Máximo — ou seja, o valor máximo a ser pago pela energia.
Ambos os valores são definidos anualmente pela Aneel, considerando aspectos técnicos e econômicos.
Quais as mudanças
Destaca-se que o modelo de PLD Horário já é adotado em diversos países do mundo com sucesso e costuma trazer algumas vantagens para as empresas que operam no segmento de energia.
– Informações mais precisas – Com a redução no período de análise, será mais simples identificar os momentos em que a energia é mais cara ou barata.
Isso significa que os consumidores serão capazes de customizar o uso do insumo de acordo com o seu custo. Uma consultoria em Mercado Livre pode auxiliar as empresas na tomada de decisões. Por outro lado, o aumento de preços – e potencial redução da demanda – pode evitar o estresse do sistema.
– Diminuição de Encargos – Os custos decorrentes da manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) são chamados de Encargos de Serviço do Sistema (ESS), conforme explica a CCEE.
Os valores são pagos por todos os agentes com medição de consumo registrada, na proporção do seu consumo. Como haverá redução na diferença entre o custo projetado e o real, esses encargos devem se reduzir.
– Armazenamento de energia – Muitas indústrias e grandes consumidores poderão se aproveitar da variação de preços para investir em formas de armazenar energia.
A ideia por trás desta iniciativa é aproveitar os períodos com custos mais baixos para adquirir a energia para que seja usada e reservada para os momentos de valores mais elevados. Isso envolve planejamento e investimento, mas será viável com a melhora desta tecnologia.
Por que adotar o PLD Horário?
De 2001 a 2019, a matriz brasileira se transformou: no início do século, 82% da energia produzida era oriunda de hidrelétricas e, em 2019, este índice caiu para 61%, mas foi subindo na sequência em função do crescimento da geração intermitente, propiciada pelos ventos e pelo sol.
Como compensação, houve aumento de outros modais, como a eólica e a solar. Estimativas do Plano Decenal de Expansão de Energia mostram que os ventos vão representar 17% e o sol 6% (sem incluir a geração distribuída) em 2034 da matriz energética.
As projeções da EPE são de que, ao longo da próxima década, os investimentos no setor energético devem se aproximar de R$ 3,2 trilhões, com grande foco nas usinas renováveis.
De natureza renovável, estas duas modalidades são intermitentes e oferecem menos segurança do que as hidrelétricas, que produzem energia sem interrupções. Por dependerem de condições climáticas (força do vento ou mesmo a presença do sol), há uma necessidade de se atualizar o custo da energia conforme a realidade.
Outro ponto importante é que os modais solar e eólico compensam parte da produção das hidrelétricas em momentos de estiagem e auxiliam a evitar o acionamento das termelétricas, cujo custo de produção energético é mais elevado.