Qual o planejamento para o fornecimento de energia na próxima década?

Plano Decenal, elaborado pela EPE, apresenta cenários pensando nas demandas e na estrutura social e econômica do Brasil para os próximos dez anos
(Imagem: Freepik)
Estima-se que, nos próximos dez anos, o Brasil invista R$ 3,2 trilhões entre a expansão da estrutura energética, em petróleo, gás natural e em biocombustíveis. Os dados são disponibilizados pelo Plano Decenal, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Este documento visa apresentar cenários pensando no fornecimento de energia na próxima década. Por isso, ele faz previsões relacionadas à melhoria de infraestrutura energética, mas também avalia os aspectos sociais e econômicos, visto que são fatores determinantes no consumo energético. Neste caso, a empresa trabalha com um cenário de referência, um positivo e um negativo.
Confira, abaixo, algumas das projeções da EPE.
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Perspectivas sociais para garantir energia na próxima década
O investimento em infraestrutura energética precisa considerar algumas variáveis. Entre elas, aparecem:
– Crescimento demográfico – O documento projeta que a população vai crescer 0,5% ao ano até 2034. Isso significa que o Brasil terá aproximadamente 229 milhões de habitantes até lá.
O governo espera não haver grandes alterações na dinâmica populacional do país, com o Sudeste e o Nordeste, respectivamente, representando 41,8% e 26,4% da população. Enquanto o Sul deve se manter com a mesma representatividade, as Regiões Norte e Centro-Oeste devem chegar a 9,4% e 8,3% da população.
– Crescimento Econômico – Outro fator fundamental para se planejar o abastecimento de energia na próxima década. A EPE trabalha com um crescimento médio do PIB brasileiro para o período de 2,8% ao ano. A previsão é de uma expansão econômica mais tímida nos primeiros cinco anos e, na sequência, uma evolução maior em função de reformas e melhoria do ambiente de negócios.
Baseado em pontos como inflação e política monetária, aprovação de reformas e ambientes de negócios e a confiança dos agentes econômicos, a EPE considera um cenário “inferior” – abaixo da média –, um referencial e um “superior”, que seria positivo sob a perspectiva econômica.
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E o que se desenha para o consumo de energia na próxima década?
A projeção é que o consumo de energia cresça em média 2,1% ao ano entre 2024 e 2034. Haverá – assim como hoje – uma forte participação do setor de transportes e da indústria que, juntos, responderiam por mais de 60% da demanda.
O abastecimento energético, porém, parece estar seguro, visto que a projeção de uma ampliação do SIN de 3,3% em média até 2034. Existe uma tendência de um aumento da participação do subsistema Norte, exigindo mais ajustes e expansão da infraestrutura nesta direção.
Um dos grandes temas relacionados à demanda de eletricidade são os datacenters, que devem ter uma carga prevista de 2,5 GW até 2037, considerando projetos já planejados em São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará.
“Datacenters são instalações essenciais para o funcionamento da moderna infraestrutura digital. Eles abrigam servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede que suportam a operação de websites, serviços em nuvem, aplicativos e uma vasta gama de outras funcionalidades digitais. Em essência, são o coração da economia digital, possibilitando a troca, armazenamento e processamento de dados em escala global”, afirma o documento.
Matriz renovável segue em destaque
Em relação aos tipos de usinas e capacidade, a expectativa é de que este seja o cenário em 2034:
– Hidráulica: 46,7%, com 488,5 TWh.
– Eólica: 17,2%, com 180,3 TWh.
– Gás natural: 6%, com 62,4 TWh.
– Solar (centralizada): 5,8%, com 60,5 TWh.
– Biomassa: 4,2%, com 44,1 TWh.
– Nuclear: 2,4%, com 25,5 TWh.
– Carvão: 0,5%, com 4,7 TWh.
Quando se observam estes números, nota-se que o país deve manter mais de três quartos de sua capacidade oriunda de fontes renováveis. “O Brasil mantém a predominância da geração elétrica baseada em fontes renováveis como hidráulica, biomassa, eólica e solar, com o nível de renovabilidade da Geração de Energia Elétrica acima de 80% ao longo de todo o horizonte decenal”, diz a EPE.
Em termos de expansão de usinas, por outro lado, as térmicas não renováveis devem se ampliar em 28.136 MW – até mesmo porque a capacidade de ampliação de usinas hidrelétricas está em seu limite.
Chama a atenção que a EPE incluiu uma capacidade de 800 MW em armazenamento de energia, que é um tema considerado importante para o futuro do país, especialmente pela ampliação dos modais solares e eólicos, que são intermitentes. Tratamos deste tema neste artigo, citando uma consulta pública aberta pela Aneel para discutir a regulação dos sistemas de armazenamento.
Ficou curioso para entender mais sobre o cenário de energia na próxima década no Brasil. Consulte na íntegra o Plano Decenal 2034 clicando aqui.
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