18/08/2025

ONS defende retorno do horário de verão no Brasil

ONS defende retorno do horário de verão no Brasil

Desde 2023, governo brasileiro vem se manifestando de forma favorável à retomada do horário de verão por motivos diversos: econômicos, de sustentabilidade e de infraestrutura energética

(Foto: Cesar Brustolin/ SMCS)

Suspenso desde 2019, o horário de verão no Brasil voltou a ter um defensor: o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No Plano de Operação Energética (PEN 2025), o documento prevê dificuldades do Sistema Interligado Nacional (SIN) para suprir a demanda de potência nos horários de pico, ao longo dos próximos anos, sobretudo no fim do dia.

Uma das soluções é a realização de leilões de potência de energia. No entanto, uma outra medida muito mais simples recomendada pela entidade é clara: o retorno do horário de verão. Essa iniciativa vai reduzir a necessidade do despacho de usinas térmicas para atender a demanda no horário de pico. E o que isso significa na prática?

– Redução de custos – O acionamento de usinas termelétricas tem um custo mais elevado para o setor energético nacional. Sua operação tem valor mais alto do que as hidrelétricas e até mesmo outras fontes renováveis, como a solar e a eólica. Ou seja, a diminuição do uso desta energia tende a reduzir o seu impacto nas tarifas e na definição das bandeiras tarifárias.

– Mais sustentabilidade do sistema – Muitas usinas termelétricas usam combustíveis fósseis como fonte produtiva. Em um período de transição energética, encontrar uma solução para diminuir a demanda destes insumos será bem-vista na cadeia global. Além disso, a modificação também seria benéfica sob a perspectiva de geração de energia solar.

– Solucionando a intermitência – As usinas térmicas – assim como as hidráulicas – não sofrem com a intermitência. Este termo se trata do momento em que não estão produzindo energia: o período noturno para as solares e a escassez de vento para as eólicas. À noite, a geração de energia da solares reduz drasticamente e as térmicas são capazes de garantir a segurança do abastecimento. Um dos caminhos é o armazenamento de energia desses modais sustentáveis e intermitentes.

– Economia – Ainda que o horário de verão no Brasil não ofereça uma grande alteração na viabilidade do sistema, sua adoção gera economia de energia. A hora adicional de luz natural com a mudança reduz a demanda de potência e, em muitos casos, a necessidade de uso de água das hidrelétricas, o que é essencial no contexto de baixa dos reservatórios hídricos.

Volta à pauta do horário de verão não é novidade

Em 2023, o tema já havia voltado à tona inicialmente pelas mãos do Ministério de Minas e Energia. Naquele ano, o MME chegou a encomendar estudos técnicos para reavaliar os impactos do retorno desta política. No ano passado, a discussão foi retomada pelo ministério, mas não houve tempo para que houvesse uma discussão mais profunda.

Em 2024, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou: “É importante que esta política seja sempre considerada. [O horário de verão] não pode ser fruto de uma avaliação apenas dogmática ou de cunho político, pois tem reflexos tanto positivos, quanto negativos, no setor elétrico, quanto na economia [em geral], devendo estar sempre na mesa”.

Outro fator de 2025 que pode pesar a favor do horário de verão é a possibilidade de entrar em vigor no tempo certo. Pelo histórico de adoção, sabe-se que as suas principais vantagens econômicas acontecem nos meses de outubro, novembro e dezembro – ou seja, é uma discussão que precisa ocorrer com antecedência.

Por que o horário de verão chegou ao fim?

Em 2019, a medida chegou ao fim com o argumento de que a economia de energia havia se tornado irrelevante. A evolução de tecnologias e uma alteração do perfil de consumo – com menor demanda em horários considerados de pico – modificaram uma visão que foi adotada por anos no setor energético brasileiro.

Agora, diante da maior demanda de potência e mudança de cenário, a política do horário de verão ressurge como uma solução viável e econômica para o sistema energético brasileiro.

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