EPE e MME decidem expansão das interligações regionais
Nova fronteira da transmissão de energia no Brasil exige um olhar atencioso para essas conexões, de modo a garantir um abastecimento de energia seguro no país
(Imagem: Pexels)
A expansão das interligações regionais prevista no Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Ministério de Minas e Energia (MME) visa aprimorar a capacidade de exportação de energia entre regiões.
É preciso encontrar soluções para garantir uma operação inteligente e estratégica do SIN, especialmente em um momento desafiador, com aumento do impacto das mudanças climáticas, abertura e flexibilização do mercado livre e as restrições impostas pelo fluxo reverso, no uso de energia solar e eólica.
Um dos caminhos para isso envolve investir na expansão das interligações regionais. Para ampliar a capacidade de exportação da região Nordeste para 24 GW e importação da Região Sul em 17 GW (2033) e 18 GW (2035), a pesquisa considerou diversos cenários distintos.
Mais do que realizar obras de engenharias para melhorar a distribuição de energia, trata-se de um marco capaz de redefinir a forma como o Brasil equilibra oferta e demanda de energia.
O que está em jogo
O estudo analisou 11 alternativas técnicas, incluindo soluções em corrente alternada e diferentes configurações de HVDC. A alternativa vencedora apresentou o menor custo total – estimado em R$ 26,5 bilhões – e benefícios técnicos. Entre eles, maior estabilidade dinâmica e integração de recursos baseados em inversores, típicos da geração eólica e solar.
A escolha por esse caminho não é apenas uma questão de eficiência econômica. Ela responde a necessidades estratégicas:
1) Nordeste como exportador de renováveis: ampliar a capacidade de exportação da região para 24 GW, viabilizando até 60 GW de geração eólica e solar até 2033.
2) Sul como importador resiliente: aumentar a capacidade de importação para 17 GW em 2033 e 18 GW em 2035, reforçando a segurança em cenários de escassez hídrica – situação que vem se tornando cada vez mais comum no país.
Para isso, há a necessidade de investimentos em uma linha de transmissão específica entre as regiões Nordeste e Sudeste/Sul.
Consequências para o consumidor
Embora o debate técnico se concentre em tensões, compensadores síncronos e topologias de conversores, os impactos finais recaem sobre os consumidores de energia. Três pontos merecem destaque:
1. Segurança de suprimento
A interligação regional amplia a resiliência do Sistema Interligado Nacional. Em momentos de seca no Sul ou Sudeste, a energia renovável do Nordeste poderá ser transferida com mais confiabilidade. Isso reduz o risco de racionamentos e diminui a necessidade de acionamento de usinas térmicas (mais caras e poluentes).
2. Integração de novas cargas eletrointensivas
A pesquisa reforça a crescente demanda de data centers e plantas de hidrogênio verde, que somariam mais de 54 GW em pedidos de conexão até 2038. Sem reforços na transmissão, esses projetos poderiam pressionar tarifas e comprometer a confiabilidade do sistema. A expansão das interligações regionais cria espaço para absorver essas cargas sem penalizar os consumidores.
3. Tarifas mais estáveis
A diversificação geográfica da oferta tende a suavizar picos de preço no mercado de curto prazo.
Para o consumidor final, isso significa menos volatilidade tarifária, especialmente em períodos críticos de escassez hídrica. Com o aumento de eventos climáticos extremos, é importante que a infraestrutura esteja preparada para suportar os novos requisitos. A lógica é simples: quanto mais robusta a rede de interligações, menor a dependência de soluções emergenciais.
Inovação tecnológica e aprendizado institucional
O uso da tecnologia VSC (Voltage Source Converter) em um projeto dessa escala é inédito nas Américas e na Europa. Isso posiciona o Brasil na vanguarda da transmissão em corrente contínua, com potencial de gerar aprendizados a futuros projetos.
Para os consumidores, essa inovação pode se traduzir em ganhos indiretos: mais eficiência operacional, redução de perdas e, no longo prazo, tarifas mais competitivas. Isso sem contar a menor dependência de equipamentos adicionais nas interligações regionais, o que traz mais segurança para todos os envolvidos.
O estudo ainda prevê a introdução de dispositivos específicos nas redes de São Paulo. Essa tecnologia permite controle mais preciso do fluxo de potência, aumentando a confiabilidade sem necessidade de grandes obras civis. É um exemplo de como soluções inteligentes de gestão de energia podem reduzir custos e acelerar prazos de atendimento às distribuidoras.
As vantagens da das interligações regionais dependem não apenas da execução técnica, mas também da capacidade institucional de conciliar interesses sociais, ambientais e econômicos – o que é previsto pela Resolução Normativa 1.122/2025, que revisou os serviços de transmissão de energia.
Muito mais do que infraestrutura
A expansão das interligações regionais prevista no PDE 2035 é mais do que uma obra de infraestrutura: trata-se de garantir a segurança energética do Brasil. Ao conectar regiões com perfis distintos de geração e consumo, o país ganha flexibilidade para enfrentar crises hídricas, integrar novas cargas eletrointensivas e manter tarifas mais estáveis.
Para o consumidor, os efeitos podem não ser imediatos, mas são fundamentais: mais confiabilidade, menor volatilidade de preços e um sistema elétrico preparado para a transição energética no Brasil.
Se quiser conferir na íntegra o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, clique aqui e acesse o site do governo federal. Venha conhecer os nossos serviços e se prepare com antecedência e eficiência para os desafios do futuro em energia.