Aneel autoriza primeira armazenadora de energia ao lado de usina fotovoltaica
Caminho pode ser visto como uma verdadeira revolução, já que a intermitência da geração pode ser compensada pelo acúmulo em momentos produtivos, beneficiando todo o sistema
(Imagem: Magnific)
Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a instalação de um Sistema de Armazenamento de Energia (SAE) na Usina Fotovoltaica Sol de Brotas 7, na Bahia. Esta foi a primeira autorização concedida pela entidade de uma armazenadora de energia localizada ao lado do empreendimento solar.
Isso significa que a usina solar passa a contar com baterias de grande porte capazes de conservar a energia produzida durante o dia e liberá-la para a rede quando houver maior necessidade. Ou seja, o Sistema Interligado Nacional (SIN) ganha mais uma fonte para ser acionada graças à armazenadora de energia, mesmo nos períodos de intermitência.
A ideia é que a estrutura funcione como um complemento às fontes renováveis. A energia solar, por exemplo, depende da luz do sol — mas o consumo não segue a mesma lógica. A depender da região, o perfil de consumo é até mesmo invertido: ou seja, há uma maior demanda no período noturno. A discussão sobre armazenamento de energia é algo que está ocorrendo há alguns anos no setor.
Com o SAE, a eletricidade gerada pode ser armazenada e utilizada em horários de pico ou em momentos de menor produção, ajudando a equilibrar o sistema elétrico. Recentemente, o Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética também estão realizando um teste de armazenamento de energia no Acre.
Por que isso importa?
A instalação de baterias para energia solar junto às usinas representa um marco para o setor elétrico brasileiro. Em um período de transição energética, a presença de uma armazenadora de energia representa mais do que um projeto isolado, porque abre caminho para que outras plantas de geração renovável adotem a mesma solução.
Isso traz benefícios claros para o sistema como um todo. Entre eles:
– Mais confiabilidade: o sistema elétrico ganha flexibilidade para lidar com variações na produção das fontes renováveis, sem necessariamente adotar outros modais;
– Integração eficiente: a energia solar e eólica podem ser melhor planejadas e aproveitadas, tirando real vantagem dos picos produtivos;
– Redução de custos futuros: ao evitar o acionamento de usinas térmicas em momentos críticos, o armazenamento ajuda a conter gastos e emissões.
– Expansão sustentável: cria condições para que a matriz elétrica brasileira continue diversificando sem comprometer a segurança do fornecimento.
Com a forte presença das usinas renováveis na matriz, estruturas deste tipo auxiliam também a evitar o fenômeno conhecido como constrained-off, quando limitações técnicas ou operacionais impedem a geração de energia, mesmo que haja condições para tal.
O que vem pela frente
A tendência é que o projeto baiano seja apenas o primeiro passo do uso das armazenadoras de energia atreladas a usinas renováveis. É provável que sistemas de armazenamento localizados se tornem cada vez mais comuns em diferentes regiões do país, inclusive em empreendimentos de perfis distintos, como as eólicas.
O motivo? Com a expansão acelerada das renováveis, a presença das baterias será essencial para garantir que a energia limpa não dependa apenas das condições climáticas, mas esteja disponível quando os consumidores mais precisam – e, muitas vezes, acontece em meio à intermitência.
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