Quais são os tipos de curtailment?
Indisponibilidade externa, confiabilidade elétrica e razões energéticas contemplam os três tipos de medidas tomadas para explicar a motivação por trás dos cortes de energia
(Imagem: Pexels)
Depois de experimentar por décadas a fio a falta de disponibilidade ou a escassez, nos últimos meses o Brasil enfrenta o outro lado da moeda: o excesso de energia elétrica e a dificuldade em lidar com este cenário. O crescimento da geração a partir das usinas eólicas e solares diversificou as fontes, mas, por outro lado, trouxe o desafio de lidar com a produção de energia intermitente.
A boa temporada de ventos associada à produção de energia solar, seja na geração distribuída ou centralizada, faz com que haja uma grande demanda, o que se torna um risco para o sistema quando fontes mais tradicionais (como hidrelétricas e termelétricas) estão em baixa.
Nesses casos, há o corte ou o desperdício de energia, no que o setor convencionou chamar de curtailment ou constrained-off. Essa medida costuma ser adotada por três motivos principais, definidos pela Aneel em uma Resolução Normativa.
O que é curtailment?
A Resolução Normativa 1.030/22 deixa claro o que se trata esta medida para o segmento energético: “a redução da produção de energia por usinas eolioelétricas despachadas centralizadamente ou usinas/conjuntos de usinas eolioelétricas considerados na programação, seguindo o comando do ONS”, explica o artigo 13 da norma.
Esta medida integra o Programa de Resposta da Demanda, implantado desde 2023 para autorizar a redução ou os deslocamentos voluntários de energia elétrica a partir da administração dos recursos disponíveis no SIN pelo ONS. No entanto, dentro desta lógica, é dever do ONS classificar os tipos de eventos de acordo com a sua motivação.
No Plano da Operação Energética 2026/2030 (PEN), o ONS prevê um cenário de curtailment mais constante nos próximos quatro anos, especialmente “entre 7 e 15 horas, com maior intensidade aos domingos”. Para que esta situação seja minimizada, há diversos caminhos, incluindo o investimento em armazenamento de energia e em leilões de baterias previstos para dezembro deste ano.
Quais os tipos de curtailment?
Há três motivos estabelecidos pela Resolução Normativa 1.030/22:
– Problemas externos ou de indisponibilidade externa: são os cortes provocados por falhas na transmissão ou na infraestrutura dos empreendimentos e do próprio sistema elétrico.
– Questões de confiabilidade elétrica: trata-se das interrupções ligadas a limitações técnicas ou defeitos nos equipamentos das usinas, seja de forma individual ou em conjunto.
– Motivos energéticos: situações em que não é possível direcionar a geração renovável para atender à carga disponível, resultando em excesso de produção sem aproveitamento.
De acordo com o ONS, o curtailment energético deve ser o mais intenso nos próximos anos, com cortes que podem totalizar 40 GW todos os anos. Ou seja, a quantidade e os perfis de usinar evoluíram, mas o sistema ficou para trás na capacidade de gerenciar esta produção. Este é, portanto, um problema que os players do segmento devem abordar em breve.
Há questões técnicas e regulatórias por trás do armazenamento de energia das renováveis que precisam ser bem definidas de modo a assegurar o funcionamento apropriado do setor e assegurar que o investimento feito pelo setor privado seja remunerado, preferencialmente sem desperdiçar energia para uso interno ou externo.
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