6/10/2026

Qual o impacto da energia cara na competitividade brasileira?

Qual o impacto da energia cara na competitividade brasileira?

Pesquisa do CLP mostra que, ao comparar a matriz energética com outros países de perfil semelhante, Brasil tem um custo energético acima da média global; entenda os motivos neste artigo

A globalização ampliou a concorrência para além das fronteiras nacionais. Indústrias, empresas de serviços e varejistas brasileiros passaram a disputar espaço com negócios de diferentes partes do mundo, o que torna a estrutura de custos um fator importante para a competitividade. Com isso, a infraestrutura e o custo da energia têm impacto direto sobre a operação das empresas. Quando a eletricidade pesa mais no orçamento, pode reduzir margens, limitar investimentos e dificultar a capacidade de competir no mercado internacional.

Um estudo conduzido pelo Centro de Liderança Pública (CLP) visa entender se a matriz mais limpa representa realmente uma vantagem para o setor produtivo. Para isso, compara-se a posição do Brasil em relação a outros países, especialmente aqueles com uma condição semelhante: disponibilidade de energia renovável, com desafios e oportunidades para hidrelétricas, eólicas e solares.

“Em princípio, essa combinação deveria ser uma vantagem competitiva: eletricidade abundante, limpa e de baixo custo pode atrair investimentos, favorecer a eletrificação da produção e reduzir o preço de bens e serviços. O problema é que essa vantagem se dissipa entre a usina e o consumidor”, explica a pesquisa.

Energia cara: a posição do Brasil na perspectiva global

Quando se compara o Brasil com outras economias, como Alemanha, França, Japão, China, Índia e Canadá, o CLP entende que o país entrega aos consumidores um custo de eletricidade caro, quando se leva em conta renda, nível geral de preços e qualidade da matriz energética. O diferencial entre o custo potencial de geração e a tarifa se perde devido à logística cara, tributação e baixa produtividade.

Para chegar a essa conclusão, o estudo equipara o Brasil a países com um forte componente de renováveis em sua geração, caso de Canadá, Noruega e China. Quando se observa a estrutura da tarifa de energia, entende-se esta posição e o paradoxo brasileiro.

Ao se observar a composição tarifária, a parte de “energia” respondia por apenas 30,4% da conta. Os demais custos? Distribuição (26,1%), transmissão (10,1%), encargos (15,2%) e tributos (18,1%). Ou seja, encargos e tributos somam um terço do valor da fatura de energia. Somente os subsídios para o setor de energia elétrica representam 14% da fatura.

A imagem abaixo mostra o quanto a energia poderia reduzir de custos ao atacar fatores-chave dos custos energéticos:

O impacto da CDE

A Conta de Desenvolvimento Energético tem grande impacto na energia cara no Brasil. A CPL estima que, em 2025, a CDE chegou a R$ 49,2 bilhões, sendo que mais de 90% deste valor é pago exclusivamente pelos consumidores. Em 2026, este valor deve ultrapassar os R$ 50 bilhões, mantendo a mesma estrutura de pagamento.

O índice sofre a pressão de subsídios para fontes incentivadas, geração distribuída e programas sociais. Por muito tempo, havia a necessidade de benefícios para as fontes eólicas e solares, mas isso não é mais a realidade, até mesmo pela redução dos custos destes equipamentos e a dificuldade em lidar com o excesso de energia gerada por essas fontes, o curtailment.

Outros fatores de impacto

A CDE, isoladamente, é um aspecto relevante, mas existem outros.

A começar pelo desenho de custeio. Segundo a CPL, “tarifa final brasileira é fortemente moldada por regras de rateio legal e regulatório, e não apenas por custo físico de fornecimento”, que geram divergências e dificuldades na repartição de custos.

A distribuição também é problemática, especialmente pelos custos elevados de perdas técnicas e, sobretudo, as perdas não técnicas, reflexo de erros de medição, falhas e furtos. E, por fim, há o forte componente dos tributos e subsídios, um aspecto que precisa ser rediscutido.

O contexto por trás da energia cara

A desregulação entre os custos de geração e os cobrados se deve, sobretudo, ao fato de o setor embutir “políticas públicas, subsídios cruzados, alocações compulsórias e escolhas tecnológicas feitas em lei”, aponta a CPL. Com isso, o custo pago hoje pelos consumidores é mais reflexo de objetivos paralelos do que o custo real do sistema.

Isso se reflete tanto para o consumidor residencial quanto para o industrial. O principal desafio do setor é a incapacidade em transformar a grande dotação energética em preço final competitivo. “A questão não é eliminar todo objetivo social, regional ou ambiental, mas financiá-lo com transparência, comparar alternativas e medir custos e resultados”, finaliza o CPL.

Leia na íntegra o estudo do CLP aqui: https://clp.org.br/energia-cara-freia-acompetitividade/

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