2/06/2026

Aneel autoriza primeira armazenadora de energia ao lado de usina fotovoltaica

Aneel autoriza primeira armazenadora de energia ao lado de usina fotovoltaica

Caminho pode ser visto como uma verdadeira revolução, já que a intermitência da geração pode ser compensada pelo acúmulo em momentos produtivos, beneficiando todo o sistema

(Imagem: Magnific)

Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a instalação de um Sistema de Armazenamento de Energia (SAE) na Usina Fotovoltaica Sol de Brotas 7, na Bahia. Esta foi a primeira autorização concedida pela entidade de uma armazenadora de energia localizada ao lado do empreendimento solar.

Isso significa que a usina solar passa a contar com baterias de grande porte capazes de conservar a energia produzida durante o dia e liberá-la para a rede quando houver maior necessidade. Ou seja, o Sistema Interligado Nacional (SIN) ganha mais uma fonte para ser acionada graças à armazenadora de energia, mesmo nos períodos de intermitência.

A ideia é que a estrutura funcione como um complemento às fontes renováveis. A energia solar, por exemplo, depende da luz do sol — mas o consumo não segue a mesma lógica. A depender da região, o perfil de consumo é até mesmo invertido: ou seja, há uma maior demanda no período noturno. A discussão sobre armazenamento de energia é algo que está ocorrendo há alguns anos no setor.

Com o SAE, a eletricidade gerada pode ser armazenada e utilizada em horários de pico ou em momentos de menor produção, ajudando a equilibrar o sistema elétrico. Recentemente, o Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética também estão realizando um teste de armazenamento de energia no Acre.

Por que isso importa?

A instalação de baterias para energia solar junto às usinas representa um marco para o setor elétrico brasileiro. Em um período de transição energética, a presença de uma armazenadora de energia representa mais do que um projeto isolado, porque abre caminho para que outras plantas de geração renovável adotem a mesma solução.

Isso traz benefícios claros para o sistema como um todo. Entre eles:

– Mais confiabilidade: o sistema elétrico ganha flexibilidade para lidar com variações na produção das fontes renováveis, sem necessariamente adotar outros modais;

– Integração eficiente: a energia solar e eólica podem ser melhor planejadas e aproveitadas, tirando real vantagem dos picos produtivos;

– Redução de custos futuros: ao evitar o acionamento de usinas térmicas em momentos críticos, o armazenamento ajuda a conter gastos e emissões.

– Expansão sustentável: cria condições para que a matriz elétrica brasileira continue diversificando sem comprometer a segurança do fornecimento.

Com a forte presença das usinas renováveis na matriz, estruturas deste tipo auxiliam também a evitar o fenômeno conhecido como constrained-off, quando limitações técnicas ou operacionais impedem a geração de energia, mesmo que haja condições para tal.

O que vem pela frente

A tendência é que o projeto baiano seja apenas o primeiro passo do uso das armazenadoras de energia atreladas a usinas renováveis. É provável que sistemas de armazenamento localizados se tornem cada vez mais comuns em diferentes regiões do país, inclusive em empreendimentos de perfis distintos, como as eólicas.

O motivo? Com a expansão acelerada das renováveis, a presença das baterias será essencial para garantir que a energia limpa não dependa apenas das condições climáticas, mas esteja disponível quando os consumidores mais precisam – e, muitas vezes, acontece em meio à intermitência.

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