O que são os 3 D’s da energia?

Digitalização, descarbonização e descentralização do setor elétrico devem se tornar prioridades na evolução do segmento para os próximos anos
(Imagem: Freepik)
O setor elétrico está passando por uma revolução para atender às demandas de um futuro mais sustentável. Muitas dessas mudanças, porém, dependem de modificações de legislações e de uma atualização do ambiente de negócios do segmento.
Três pilares fundamentais puxam essa transformação: descarbonização, digitalização e descentralização do setor elétrico. Conhecidos como os 3 D’s da energia, esses conceitos devem moldar um novo mercado em prol de mais eficiência, com maior participação das fontes renováveis e uma busca constante por modernização tecnológica.
Vamos entender o impacto de cada um dos 3 D’s na prática.
Quais os principais pontos da reforma do setor elétrico? Explicamos neste artigo!
– Descarbonização: a busca pela neutralidade climática
A descarbonização é o processo de redução das emissões de gases de efeito estufa, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis. O objetivo de muitas economias é atingir a neutralidade climática, promovendo a transição para fontes de energia mais limpas e renováveis.
Nesse contexto, estamos falando tanto do aumento das usinas renováveis – como as hidrelétricas, solares e eólicas – dentro da matriz energética brasileira. Mas não se pode esquecer também dos biocombustíveis, como a biomassa, o biodiesel e o etanol, que podem ser soluções competitivas e acessíveis para a lógica de transportes e em usinas térmicas.
Atualmente, o país está à frente de boa parte do mundo graças a sua matriz energética limpa, conforme explica a Empresa de Pesquisa Energética.
O processo de descarbonização envolve tanto medidas propostas pelo governo – atraindo mais investimentos para o setor com mais segurança jurídica – quanto a busca pelas companhias por mitigar os seus impactos ambientais. É por isso que, cada vez mais, soluções de descarbonização e de ESG devem ser buscadas por companhias de todos os portes.
Como será o caminho até uma energia limpa? Saiba mais aqui!
– Digitalização: o futuro conectado do setor elétrico
Nenhuma revolução se completa sem o avanço tecnológico. No setor elétrico, a digitalização tende a ser um dos grandes motores dessa transformação.
Se houver condições de infraestrutura e a regulamentação adequada, o desenvolvimento de tecnologias como Internet das Coisas, Big Data, Blockchain e Inteligência Artificial devem automatizar processos, tornando o sistema elétrico mais ágil, flexível e eficiente.
De certa forma, o que se espera do segmento de energia elétrica no país é uma evolução semelhante à vivida pelo setor de telecomunicações – que passou por uma transformação após a sua privatização em 1998 –, mas com mais transparência.
No mundo atual, a digitalização deve envolver necessariamente a integração entre geradores, operadores e consumidores, trazendo precisão na operação do sistema e segurança do abastecimento e do compartilhamento de dados.
Além disso, a digitalização favorece a integração da geração distribuída ao sistema elétrico, permitindo que consumidores residenciais e comerciais participem ativamente do mercado de energia – selecionando o seu fornecedor e a sua fonte energética.
– Descentralização: geração mais próxima do consumidor
A descentralização do setor elétrico é uma mudança muito esperada pelo mercado, visto que rompe com o modelo tradicional de geração centralizada – e tende a ser um reflexo já esperado da digitalização do setor.
Até mesmo para diminuir custos e os impactos ambientais, busca-se que a energia elétrica seja gerada próximo ao consumo – é o que acontece, por exemplo, com a geração distribuída de pequenos geradores, que injetam sua energia no sistema.
A descentralização do setor elétrico traria grandes impactos para o sistema:
– Aumento da eficiência do sistema elétrico;
– Redução de custos com transporte e distribuição;
– Diminuição dos impactos ambientais;
– Incentivo à adoção de fontes renováveis, como a solar fotovoltaica.
Até 2034, conforme Plano Decenal de Expansão de Energia, a geração distribuída tende a crescer cada vez mais. Além da possibilidade de geração de energia própria, a descentralização da energia elétrica também é visada por empresas de menor porte e consumo, que atualmente estão impedidas de buscar o seu fornecedor no mercado livre de energia.
Saiba mais sobre o funcionamento do mercado livre de energia aqui!
De certa forma, os 3 D’s da energia representa uma busca por se integrar ao que se espera do futuro, com o consumidor aumentando o seu papel de protagonista – o que não é possível com o modelo brasileiro.
Na prática, a descarbonização reduz os impactos ambientais, a digitalização traz agilidade e segurança e a descentralização do setor elétrico democratiza o acesso e as oportunidades aos consumidores.
Para muitas empresas e consumidores, acompanhar este movimento não será simples e é por isso que gestoras de energia como a Solfus auxiliam a antecipar os movimentos do mercado e tomar as melhores decisões.