4/05/2026

O impacto dos data centers no consumo energético

O impacto dos data centers no consumo energético

Energia elétrica é um insumo básico para o funcionamento dos data centers, que são a base para muitas tecnologias que se fazem presentes em nossa rotina, caso da inteligência artificial

(Imagem: Freepik)

Se a energia elétrica se tornou um insumo crucial para os negócios ao longo das últimas décadas, esta demanda ganha um novo front de consumo com o impacto dos data centers. O uso de inteligência artificial, a necessidade de conectividade contínua, os carros elétricos e a aplicação de tecnologias especializadas na indústria, como a Internet das Coisas (IoT), revolucionam essa dependência.

Os data centers são elementos fundamentais, porque permitem a circulação livre de dados, que são a base dessa economia digital e de muitas das tecnologias que foram desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Um dado da Agência Internacional de Energia (IEA) ajuda a explicar o porquê o impacto dos data centers tende a ser forte.

Em 2024, os data centers foram responsáveis por 1,5% do consumo de energia elétrica em 2024 – cerca de 415 TWh. Nos últimos cinco anos, o crescimento registrado foi de 12% ao ano. A expectativa da entidade é que esse consumo atinja entre 945 a 980 THw até 2030 – ou seja, mais do que o dobro do que foi registrado nos últimos anos, atingindo cerca de 3% do consumo global de energia.

Os dois principais motivos para isso envolvem o boom de uso de duas tecnologias que se tornaram a base da revolução tecnológica vivida pela sociedade: a nuvem, que permite o acesso de sistemas de qualquer local, e a inteligência artificial até mesmo no setor de energia.

“O crescimento da IA está acelerando o desenvolvimento de servidores de alta performance, levando a um aumento de necessidade de data centers e de sua capacidade. Entender a agilidade e a escala desta adoção será crítico e também um fator para as demandas futuras de eletricidade”, afirma a IEA.

Os aspectos que geram impacto dos data centers no consumo

Existem algumas barreiras para a IEA prever com mais exatidão as demandas relacionadas a essa infraestrutura. Uma delas envolve a própria evolução da tecnologia e seu uso pela sociedade. Afinal de contas, não é incomum que novas soluções surjam, caiam no gosto popular e desapareçam.

Um segundo fator envolve também a própria aplicação dos data centers, já que a depender do tipo de tecnologia e eficiência, o consumo é diferente. Entre eles:

1. Resfriamento dos equipamentos, que tem um papel determinante no sucesso do empreendimento.

2. Infraestrutura de TI necessária ao funcionamento.

3. Iluminação de emergência;

4. Sistema de backup;

5. Tipo e eficiência da conectividade: quanto mais lento, maior a demanda por energia e por resfriamento, gerando um efeito cascata.

Ou seja, os cálculos dependem de uma série de variáveis específicas para cada empreendimento. O certo é que os dois primeiros fatores costumam responder por pelo menos 80% do consumo energético e, consequentemente, do impacto dos data centers, que atuam em tempo integral com uma demanda contratada de energia praticamente constante.

O papel do Brasil no contexto da América Latina

Um relatório da JLL mostra que o Brasil assume o protagonismo em relação à presença de data centers na América Latina. Em matéria divulgada pela ForbesBR, no ano passado, o país concentrava 48% da capacidade já instalada em toda a região. O número que chama mais a atenção, porém, é o dos empreendimentos em construção: o país representa 71% do total.

Somente em 2025, a região contabilizou uma entrega de 184 MW no serviço de hospedagem de servidores e outros equipamentos – colocation, no jargão do setor. Via de regra, estes empreendimentos estão concentrados em São Paulo, mas estados do Nordeste, em especial o Ceará, estão experimentando o crescimento desta demanda.

A localização e o volume dos data centers serão fundamentais para o planejamento de energia na próxima década dentro do Brasil.

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