O que são sistemas isolados?
Entenda por que estes pouco mais de 150 locais do Brasil que não estão conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) têm grande peso para a política tarifária do Brasil
Energia fora da rede, mas no centro do debate e com alto impacto.
Os sistemas isolados representam uma realidade própria do setor elétrico brasileiro: são a solução para garantir energia em regiões remotas, mas também um desafio constante para planejar sua redução em função de elevados custos, complexidade logística e sustentabilidade.
Para 2026, espera-se uma carga média de 278 MWmed, segundo o Plano Anual da Operação Energética dos Sistemas Isolados. Ao total, serão mais de 2,4 milhões de MWh.
Como seu próprio nome já diz, os sistemas isolados são plataformas de geração e transmissão de energia elétrica que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional. Atualmente, o SIN é composto de quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da Região Norte. No total, são 152 localidades isoladas no Brasil, a maioria no Norte do país, de acordo com o ONS.
Os sistemas isolados estão em áreas remotas ou de difícil acesso, nas quais a construção de linhas de transmissão de longa distância é considerada inviável por motivos econômicos ou técnicos. Não se pode ignorar, é claro, as discussões de sustentabilidade e viabilidade ambiental de projetos, especialmente em áreas com particularidades próprias, como a Região Norte do Brasil.
| Estado | Número de sistemas |
| Acre | 5 |
| Amapá | 1 |
| Amazonas | 92 |
| Pará | 12 |
| Pernambuco | 1 |
| Rondônia | 12 |
| Roraima | 29 |
Para 2026, há a expectativa de que 8 unidades sejam interligadas ao SIN. A título de curiosidade, a única unidade fora da Região Norte é a ilha de Fernando de Noronha, que está a mais de 350 quilômetros da costa brasileira.
O equilíbrio entre custos e direito à energia elétrica
A existência de atendimento energético em áreas afetadas é fundamental para garantir a operação de empresas e indústrias, contribuindo para o desenvolvimento econômico e as comunidades.
Em setembro de 2025, Roraima passou a fazer parte do SIN, assegurando que todos os estados do país estejam neste ecossistema. Foram 209 mil unidades consumidoras conectadas ao SIN. No cômputo geral, o Brasil ainda tem cerca de 450 mil clientes atendidos exclusivamente por meio de Sistemas Isolados — somente pouco mais de 9 mil estão em Roraima.
Com esse novo cenário, há uma perspectiva de que o consumo de energia dos sistemas isolados caia quase a metade. Ao contrário do que se imagina, não são apenas cidades pequenas ou comunidades atendidas dentro deste padrão.
“Há desde pequenas comunidades, com população de cerca de 100 habitantes como é o caso de Carvoeiro (AM) e Pedras Negras (RO), até cidades maiores, como Cruzeiro do Sul (AC), com população superior a 89 mil”, diz a EPE. Boa Vista, que era a única capital não conectada ao SIN, agora integra o ecossistema, com seus mais de 400 mil consumidores.
Como é o abastecimento nos sistemas isolados?
Os sistemas isolados são operados de forma independente do SIN, com suas próprias regras e regulamentos. Via de regra, eles são administrados por empresas de distribuição de energia elétrica, que também são responsáveis pela construção e manutenção das linhas de transmissão e subestações.
Por que isso é importante? De acordo com a EPE, os Sistemas Isolados ainda dependem do abastecimento de óleo diesel em mais de 90% dos casos. Para mudar esse cenário, os leilões de suprimento de 2025 passaram a exigir que, ao menos 22% do suprimento viesse de fontes renováveis — exceto nos casos de gás natural, que representam 8% da potência instalada.
Ainda é pouco, mas é um passo a mais que o Brasil dá alinhado à transição energética, um movimento no qual é considerado um dos principais players globais.
“O suprimento de energia elétrica depende da logística de fornecimento desse combustível (diesel), podendo sofrer interrupções em épocas de estiagem, e exigindo que as usinas de certas localidades disponham de tanques de armazenamento de grande porte para estocagem de combustível”, explica a EPE.
Em outras palavras, as comunidades abastecidas pelos sistemas isolados estão mais suscetíveis a falhas no fornecimento de energia. Afinal de contas, ao contrário do SIN, que pode remanejar a geração de energia de acordo com a demanda — inclusive entre diferentes regiões e modais –, não existe essa possibilidade nos sistemas isolados.
Um desses problemas em relação à falta de conexão com o SIN foi o apagão do Amapá, que ocorreu em 2020 e deixou 13 das 16 cidades do estado sem energia por até 20 dias.
Como se dá o fornecimento de energia?
Na realidade dos sistemas isolados, o fornecimento energético costuma ocorrer de três formas:
– Aquisição de máquinas pela própria distribuidora, sendo ela a responsável pela operação e manutenção das usinas: apenas 3% do total.
– 10% fazem contratos de locação celebrados pelas distribuidoras com empresas especializadas.
– 87% do total fazem contratação, via leilão, de Produtor Independente de Energia (PIE).
Os principais desafios dos sistemas isolados
Em 2025, os Sistemas Isolados representaram:
– 152 localidades atendidas por 8 distribuidoras.
– 12 localidades (cerca de 8%) com previsão de interligação ao SIN até o fim de 2026.
– Com a saída de Roraima, a previsão de carga destinada aos sistemas isolados é 42% menor do que na comparação com 2025.
Apesar de parecer um número pequeno, os sistemas isolados são uma das variáveis da Conta de Consumo de Combustíveis. Em 2026, a CCC está prevista para ter uma redução de R$ 1,1 bilhão pela diminuição de demanda dos sistemas isolados. Trata-se de um dos principais encargos do setor energético, atrás apenas das fontes incentivadas, conforme mostra o subsidiômetro.
Além dos custos, os sistemas isolados também estão mais sujeitos às falhas operacionais e às dificuldades de gestão. Em caso de ocorrências, elas podem ser longas por falta de alternativas para o suprimento.
Não é à toa, portanto, que o governo brasileiro tem adotado uma série de políticas públicas para apoiar o desenvolvimento dos sistemas isolados, visando reduzir o seu custo e, ao mesmo tempo, promover a inovação e melhorar a confiabilidade do fornecimento de energia.
Se você quiser se aprofundar em outros dados dos sistemas isolados, confira o Plano de Operação anual aqui. Fique por dentro de outras notícias e dos termos mais relevantes do mercado de energia no blog da Solfus!