11/09/2026

Preocupação com o El Niño: ONS lança página para monitorar os efeitos

Preocupação com o El Niño: ONS lança página para monitorar os efeitos

Entenda como o fenômeno deve influenciar o regime de precipitação, a temperatura, a nebulosidade e a intensidade dos ventos, refletindo diretamente no sistema energético brasileiro

(Imagem: Magnific)

Há uma grande preocupação com o El Niño. Classificado por meteorologistas como “excepcional”, já que o Oceano Pacífico está 1,8 graus acima de sua média histórica, este “Super El Niño” está exigindo um olhar mais atento por parte do governo brasileiro. De maneira simples, este fenômeno deve levar chuva concentrada ao centro-sul do país e calor e seca ao centro-norte.

A preocupação com o El Niño está no fato de que o fenômeno tem a capacidade de influenciar diversas frentes meteorológicas: regime de precipitação, temperatura, nebulosidade e intensidade dos ventos. Todos esses fatores impactam o Sistema Integrado Nacional, o SIN, exigindo uma atenção maior por parte dos órgãos responsáveis em relação ao setor elétrico.

Esse olhar mais atento se dá em diversas frentes, incluindo na intensidade dos efeitos climáticos mais extremos e suas consequências relativas à operação como um todo. Para acompanhar todos os efeitos, o ONS lançou uma página, na qual vai apresentar novidades e notícias sobre os possíveis impactos do El Niño em diversas frentes do setor elétrico.

Quais os principais impactos das mudanças climáticas no setor elétrico?

Em um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os efeitos das mudanças climáticas para o setor elétrico se destacaram em três aspectos:

1) Pressão sob os recursos hídricos

Há tendência de redução das vazões médias nos subsistemas Sudeste, Norte e Nordeste, onde se concentram as principais hidrelétricas do país. A consequência? Uma maior dependência de usinas térmicas, especialmente em um momento no qual a produção das renováveis ganha força e exige a produção não intermitente por questões de potência.

2) Fontes renováveis com maior variação

Apesar do crescimento das fontes eólicas e solares, a possibilidade de elevação de temperatura costuma reduzir a eficiência dos módulos fotovoltaicos. A intensidade dos ventos também pode sofrer variações, afetando o planejamento inicial das eólicas.

Na outra ponta, a produção pode ser tão extensa, que gera uma situação conhecida como constrained-off ou curtailment. Trata-se de bloquear a geração de energia por limitações técnicas e operacionais. Ou seja, a preocupação com o El Niño está na criação de cenários de incerteza.

3) Aumento da demanda devido ao calor extremo

Uma das preocupações relacionadas ao El Niño é o aumento das temperaturas médias. Com a necessidade maior de resfriamento, a demanda por energia pode crescer até 6%, pressionando o sistema em um cenário de oferta mais limitada. Esse desequilíbrio entre consumo e disponibilidade também pode contribuir para a elevação dos preços de energia, tanto no mercado cativo quanto no livre. 

Efeitos climáticos extremos: a infraestrutura dá conta?

Além das questões técnicas da operação, há um segundo fator que causa preocupação com o El Niño: a resiliência das redes, especialmente em grandes centros urbanos. Nos últimos anos, São Paulo viveu dias de grande dificuldade no fornecimento energético devido às chuvas com grande intensidade de ventos. Isso levou a Aneel a ampliar a fiscalização de energia na principal cidade do país.

Inclusive, no mês de agosto, a Aneel negou o pedido da Enel Distribuição São Paulo para que o processo de recomendação de caducidade fosse suspenso.

Apesar de um termo aditivo ter sido assinado, no caso da Enel e da prefeitura de SP, há uma disputa em vigor para tentar mudar a concessão de energia devido a críticas pela demora e dificuldade em lidar com os efeitos climáticos extremos.

O que saber sobre os direitos do consumidor?

Em um cenário potencialmente perigoso, é importante que se saiba quais são os direitos dos consumidores no caso de apagões ou de outros tipos de incidentes decorrentes do Super El Niño.

Entre as principais mudanças trazidas pela norma, destaque para: compensação ao consumidor na fatura depois de 24 horas sem energia em áreas urbanas e 48 horas em áreas rurais. O ressarcimento por danos elétricos inclui reembolso, quando houver nexo causal.

E, por fim, o aumento da transparência por parte das distribuidoras, com a comunicação sobre interrupções e atualizações contínuas a cada 30 minutos, quando houver incidente.

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