Horário de verão no Brasil: o que dizem os estudos?

De 2020 para 2024, avaliações sobre a medida se modificaram em função do contexto do sistema energético: de impacto mínimo na economia para auxílio na gestão das termelétricas
(Imagem: Freepik)
Ele é amado ou odiado: quase não há meio-termo sobre o horário de verão no Brasil. Uma pesquisa do Instituto Datafolha confirmou essa impressão: 47% da população apoia e 47% se mostra contrária à medida.
Independentemente se você é do time que adora os dias mais longos ou odeia acordar com tudo ainda escuro, a implantação do horário de verão no Brasil sempre teve um objetivo claro: contribuir para a economia de energia no país. Mas, afinal de contas, a medida ajuda ou não o país neste propósito?
Uma mudança de análise
A resposta mudou ao longo dos últimos anos e também depende do contexto. Vamos explicar na sequência.
No início de 2020, primeiro ano sem este expediente, as estimativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foram de que o impacto para o consumo energético foi mínimo. É possível conferir estes dados neste artigo do blog de março de 2020. Portanto, não faria sentido voltar com o horário de verão no Brasil.
Em 2024, porém, as indicações do ONS seguiram um caminho diferente, conforme uma Nota Técnica divulgada em seu site no fim de setembro.
“A aplicação do Horário de Verão (HV), em cenários de afluências críticas, poderá trazer uma redução de até 2,9% da demanda máxima noturna. A medida, que caberá ao Governo Federal definir, pode trazer uma economia significativa no custo da operação entre os meses de outubro e fevereiro”, diz a manifestação oficial do ONS.
É claro que esta análise também está atrelada ao contexto que o Brasil vive neste momento. Em setembro e em outubro, o país acionou a bandeira tarifária vermelha no Patamar 2, que acrescenta R$ 78,77 MWh à tarifa, conforme explicamos neste artigo.
Isso se deve à condição mais baixa dos reservatórios, o que exige o acionamento de modais mais caros para a segurança do abastecimento, caso das termelétricas, depois de um período superior a dois anos de bandeira verde.
É por isso que a Nota Técnica deixa claro o novo posicionamento: “recomenda-se a implantação do HV, visto que há ganhos positivos para o setor elétrico, contribuindo para a eficiência do Sistema Interligado Nacional e, principalmente, ampliando a capacidade de atendimento na demanda de máxima no horário noturno”, segue a avaliação do ONS.
Mais energia solar
A ampliação dos modais solares, o que reduz a necessidade de uso de combustível para as termelétricas, também entrou na análise.
“Outro benefício importante, na implantação do horário de verão, é o efeito sobre a rampa da carga entre 18h e 19h, com a postergação do horário de demanda máxima em até duas horas, permitindo que a compensação pela saída da micro e minigeração distribuída (MMGD) fotovoltaica, e toda a geração de fonte solar, possa ser feita de forma mais prolongada”, acrescenta.
Conheça os principais dados do sistema elétrico brasileiro!
Qual o impacto econômico?
A análise segue fazendo uma estimativa de redução de custos em relação ao uso de combustível.
– R$ 346 milhões seria o valor economizado no pior cenário hidrológico: ou seja, um regime de chuvas mais baixo.
– R$ 244 milhões no melhor cenário hidrológico.
Estes valores são considerados para o período entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025.
Se você é do time pró ou contra o horário de verão no Brasil, é importante ficar atento, pois, nos próximos dias, devemos ter novidades a respeito do tema com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Horário de verão no Brasil terá avaliação anual
Em 2024, o governo federal descartou a possibilidade de retomada do horário de verão. De acordo com o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o Brasil tem a segurança energética assegurada.
“É o início de um processo de restabelecimento da nossa condição hídrica ainda muito modesto, mas temos condições de chegar, depois do verão, em condição de avaliar a volta desta política [para o verão de 2025/2026]”, afirmou o ministro à Agência Brasil.
Apesar de abrir mão desta medida neste ano, Silveira defendeu que o horário de verão seja analisado todos os anos em função do contexto vivido pelo Brasil, especialmente para os meses de outubro, novembro e dezembro, quando os benefícios são mais sentidos.
“É importante que esta política seja sempre considerada. [O horário de verão] não pode ser fruto de uma avaliação apenas dogmática ou de cunho político, pois tem reflexos tanto positivos, quanto negativos, no setor elétrico, quanto na economia [em geral], devendo estar sempre na mesa”.
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