Os principais números do setor elétrico brasileiro, segundo o boletim de monitoramento do MME
O documento consolida os principais dados do sistema energético brasileiro em 2024: confira os números em capacidade instalada e geração de energia
(Imagem: Freepik)
O Boletim de Monitoramento do Ministério de Minas e Energia consolida os principais dados do sistema energético brasileiro em 2024. Já mostramos que, ao longo de 2024, os subsídios para o setor de energia representaram 14% da fatura. Mas você quer saber mais informações sobre a energia no Brasil?
Se quiser checar na íntegra os dados deste post, basta acessar este link. Mas fique conosco no restante deste artigo, que vamos resumir as principais informações!
– Capacidade instalada
A expansão da capacidade instalada de geração de energia elétrica foi de 10,8 GW, sendo que as fontes renováveis representaram 97% dessa expansão. Chama a atenção o impacto do mercado livre de energia dentro deste quesito, com 68% de ampliação da capacidade, especialmente com o investimento em fontes eólica e solar.
Ao fim de 2024, o sistema energético brasileiro atingiu 243,9 GW, um crescimento de 8% em relação a 2023, sendo que 87,1% são oriundos de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas, solares, usinas de biomassa e geração distribuída.
– Geração de energia
O Boletim de Monitoramento do MME aponta que, no total, em 2024, foram gerados 687 GWh, o que representa um aumento de 5,1% em relação ao ano anterior. Deste total, cerca de 91% foram provenientes das fontes renováveis – uma queda de 1,6%.
A energia hidrelétrica representou 60,9% do total, demonstrando a importância e a dependência que o setor tem deste tipo de energia, mesmo com a expansão dos demais modais. A queda em relação a 2023 da geração de energia das águas foi compensada pelo aumento nos modais eólico e solar.
– Linhas de transmissão
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 190 mil quilômetros de linhas de transmissão — o que representa 2,2% de crescimento. A título de comparação, em 2019, o número de quilômetros era de 150 mil – ou seja, uma grande evolução em um período de cinco anos.
Somente em 2024, foram adicionadas 4 mil quilômetros de linhas de extensão, sendo as principais infraestruturas concluídas no período: Morro do Chapéu (BA), Rio Claro (GO) a Rondonópolis (MT) e Abunã (RO) a Rio Branco (AC). Esta última visa tanto aumentar a confiabilidade e melhorar a distribuição de fluxos, conforme o Anuário Estatístico da EPE.
Estima-se que, até 2029, as obras de distribuição de energia devem receber repasses superiores a R$ 1 bilhão.
– Consumo
Existe uma separação no consumo de energia do país entre o mercado livre e o cativo, como aponta Anuário Estatístico da EPE, referente a 2024.
Vale ressaltar que, em números brutos, o ambiente cativo (ACR) conta com um volume mais elevado de consumidores, capitaneado pelas residências e empresas que não se enquadram nos critérios do mercado livre. Em 2024, as casas contabilizaram 57,7% do consumo do país, queda de 2%.
Entretanto, as empresas de maior porte, caso de indústrias, empresas, shoppings, condomínios e armazéns logísticos, se enquadram como grandes consumidores, sendo abastecidos no mercado livre de energia. Nos últimos anos, o ambiente de contratação livre (ACL) apresentou crescimento contínuo. Só em 2024, o aumento foi de 10,7% no consumo e de 64,3% no número de consumidores.
Embora não tenha sido oficializado neste levantamento da EPE, o número de unidades consumidoras que migraram para o ML em 2025 chegou a 21 mil.
Não é à toa, portanto, que hoje esse volume de pouco mais de 85 mil unidades representa 42,3% do consumo de energia no país.
– Intercâmbios internacionais
Um dos acontecimentos pouco comuns de 2024 está dentro do que o Boletim de Monitoramento do MME apresenta na área de intercâmbios internacionais. O país registrou uma queda de 62% na exportação de energia, especialmente para a Argentina e o Uruguai.
O motivo é a diminuição da geração hidráulica, visando assegurar o abastecimento interno do país. A importação – que já foi adotada em outros anos, especialmente em épocas de seca – teve 61 MW médios registrados: em 2023, este índice foi praticamente nulo, com apenas 1 MW médio.
A pressão da falta de água para o setor deve ser sentida, inclusive, com o aumento de bandeiras vermelhas e amarelas nos meses subsequentes.
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