O potencial da bioenergia no mercado livre
Dados da CCEE reforçam a capacidade desta energia para, inclusive, suprir a intermitência e adquirir um papel estratégico no contexto da transição energética
(Imagem: Freepik)
O mercado livre de energia continua se expandindo rapidamente no Brasil, especialmente com o avanço das fontes renováveis. Só no primeiro semestre de 2025, quase 14 mil consumidores migraram do mercado cativo para o livre — um crescimento de 26% em comparação ao mesmo período de 2024, segundo a CCEE.
Os dados também mostram a relevância da bioenergia nesse cenário. Em setembro, a geração a partir de biomassa alcançou 579 milhões MWmed, sendo 112 milhões destinados ao mercado cativo e 467 milhões ao mercado livre. Esses números evidenciam a força e o potencial da bioenergia no ambiente de contratação livre.
Esse movimento reflete não apenas a busca por maior previsibilidade de custos e liberdade contratual – vantagens obtidas com uma consultoria em mercado livre –, mas também uma crescente preferência por modais renováveis e sustentáveis. Uma delas é a bioenergia no mercado livre: uma fonte que ainda tem um apelo menor do que a eólica ou a solar.
O ganho de espaço da bioenergia no mercado livre
A facilidade para migrar para o mercado livre acontece há anos, mas se expandiu ainda mais com a flexibilização das regras.
Desde janeiro de 2024, consumidores de média e alta tensão com demanda contratada inferior a 500 kw podem ingressar no ambiente livre. Até o fim de 2023, o gasto mínimo exigido era de 500 kw.
Uma das vantagens envolve a possibilidade de escolha das fontes de energia – adaptando a estratégia dos negócios à transição energética. Essa tendência é evidenciada pela composição da matriz energética no mercado livre. Em 2024, fontes renováveis representaram 64% da energia total comercializada no ACL.
E outros números chamam a atenção: o mercado de livre é responsável por consumir a maioria da energia renovável:
– 58% da energia eólica gerada no Brasil;
– 79% da energia solar centralizada;
– 81% da energia proveniente de usinas de biomassa;
– 57% da energia gerada por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).
Estes números revelam uma oportunidade para ampliar o papel da bioenergia no mercado livre, especialmente considerando os atributos técnicos e operacionais que essa fonte oferece. Mais importante: ele pode ser adequado à estratégia de ESG dos negócios.
Biomassa: flexibilidade e complementaridade
A geração elétrica a partir da biomassa ocorre predominantemente por meio de processos termelétricos.
São diversos caminhos e cada um apresenta vantagens específicas em termos de eficiência, tempo de partida, modularidade e capacidade de operação intermitente. Entender estes atributos é essencial para atender às novas exigências do sistema elétrico brasileiro, marcado pela crescente participação de fontes intermitentes como solar e eólica.
A biomassa ganha destaque por sua complementaridade com o parque hidrelétrico nacional. Com a redução da capacidade de armazenamento dos reservatórios das UHEs, torna-se cada vez mais necessário contar com fontes despacháveis e flexíveis.
Usinas de biomassa, especialmente aquelas que operam com motores de combustão interna ou turbinas, podem oferecer resposta rápida e operar em carga parcial, contribuindo para a segurança energética e para a gestão da demanda em diferentes escalas temporais – substituindo até mesmo as usinas térmicas.
Diversidade de insumos e rotas tecnológicas
O Brasil possui uma oferta abundante e diversificada de biomassa, resultado de suas condições climáticas favoráveis. Entre os principais insumos estão sobretudo o bagaço e a palha de cana-de-açúcar, mas há também resíduos agroindustriais, lodo de esgoto, resíduos sólidos urbanos (RSU), cascas de arroz e café, além de biogás e biocombustíveis líquidos.
Esses insumos podem ser aproveitados por diferentes rotas tecnológicas:
– Biodigestão (para produção de biogás);
– Gaseificação (gerando gás de síntese);
– Combustão direta;
– Uso de biocombustíveis líquidos.
Bioenergia e transição energética
No contexto da transição energética, a bioenergia representa uma solução realista e estratégica para o Brasil. Além de ser renovável e de baixo carbono, a biomassa contribui para a economia circular ao valorizar resíduos e subprodutos da agroindústria. Sua capacidade de geração também pode favorecer a redução de perdas na transmissão e aproxima a produção dos centros de carga.
Com o avanço do mercado livre e a crescente demanda por soluções energéticas sustentáveis, a bioenergia pode ocupar um espaço ainda mais relevante na matriz elétrica nacional. Para isso, é fundamental promover políticas de incentivo, aprimorar a regulação e fomentar investimentos em tecnologias que ampliem a eficiência e a competitividade das usinas de biomassa.
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