7/07/2025

Balanço Energético Nacional mostra avanço da energia renovável no Brasil em 2024

Balanço Energético Nacional mostra avanço da energia renovável no Brasil em 2024

(Imagem: Freepik)

O Balanço Energético Nacional (BEN) 2025 indica que houve um avanço representativo do uso de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira em 2024. Os números consolidam o Brasil como referência global em energia limpa, acompanhando as demandas e as exigências relativas à transição energética.

Publicado pelo Ministério de Minas e Energia, o documento traz um panorama completo da produção, oferta e consumo de energia no Brasil com base nos dados de 2024. Essas informações são importantes para permitir um planejamento energético adequado tanto da perspectiva do governo quanto dos consumidores.

Matriz elétrica brasileira: 88,2% renovável

A participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira alcançou 88,2% em 2024, conforme o Balanço Energético Nacional. Quando se considera apenas o Sistema Interligado Nacional (SIN), esse número chega a 91,2% – um aumento em relação aos 87,9% registrados em 2022 e 89,2% de 2023.

Este número já é bastante representativo, mas se torna ainda mais forte quando o Brasil é apresentado em comparação a outros países. A média global de fontes renováveis na matriz elétrica é de apenas 29,9% e de 34% nos países integrantes da OCDE.

Alguns números chamam a atenção no Balanço Energético Nacional:

– Geração solar fotovoltaica: cresceu 39,6%, alcançando 70,7 TWh e com capacidade instalada de 48.468 MW (alta de 28,1%);

– Geração eólica: cresceu 12,4%, atingindo 107,7 TWh com capacidade instalada de 29.550 MW;

– Geração hidrelétrica: manteve-se praticamente estável, com leve queda de 1%;

– Geração termelétrica: aumentou 11,4%, somando 151,2 TWh – 40,6% dessa geração veio de biomassa;

– Gás natural: registrou crescimento expressivo de 23,9% na geração de energia.

Esses números mostram uma tendência de maior diversificação na matriz elétrica, com redução da dependência das hidrelétricas e aumento da participação de fontes eólica, solar e térmica (especialmente a partir da biomassa e do gás natural).

Assegurar o uso de outros modais que não o hidrelétrico é fundamental para dar segurança energética ao país, especialmente com o aumento das crises hídricas que interferem na geração deste modal.

Oferta e consumo de energia no Brasil

A oferta interna cresceu 5,5%, somando 39,7 TWh a mais em relação a 2023. Este dado representa a soma de todas as formas de energia, que também foi impulsionada pelos modais renováveis, em especial a eólica e a solar. No padrão de consumo de energia apresentado pelo Balanço Energético Nacional, os destaques são:

– Transportes: 33,2%;

– Indústrias: 31,7%;

– Residências: 10,8%;

– Serviços: 5,3%;

– Agropecuária: 5,0%.

Ou seja, os segmentos de logística e industrial somam praticamente dois terços do consumo brasileiro – cerca de 65%. Um aspecto importante trazido pelo Balanço Energético Nacional foi que a intensidade energética da economia brasileira caiu, uma vez que o crescimento da energia foi inferior ao do PIB – o que aponta para ganhos de eficiência.

E, por fim, no longo caminho até a energia limpa, o setor energético representa apenas 20% das emissões totais do Brasil. Para se ter um panorama adequado, a média mundial é de 76%.

Sistemas Isolados ainda são um desafio

Os Sistemas Isolados representam uma parcela pequena da geração nacional — apenas 0,6% da eletricidade do país — mas são estratégicos para regiões remotas. Estamos falando de regiões que não são atendidas pelo SIN e que, via de regra, acabam exigindo geradores e combustíveis fósseis.

Em 2024, a geração nesses sistemas foi de 4.221 GWh, um aumento de 4,7% em relação a 2023. A maior parte dessa geração ainda vem de óleo diesel e gás natural, fontes mais poluentes e de custo elevado. A prevalência dos Sistemas Isolados está na Região Norte, mas há um deles em Mato Grosso e em Fernando de Noronha, no Centro-Oeste e Nordeste, respectivamente.

Vale ressaltar que Boa Vista, em Roraima, é a única capital brasileira ainda não integrada ao SIN. Recentemente, a inauguração de uma linha de transmissão no Acre diminuiu a dependência dos Sistemas Isolados no Norte.

Geração distribuída: crescimento acelerado da energia solar

A geração distribuída vive um momento de forte expansão no Brasil, puxada pela fonte solar fotovoltaica. Em 2024, a micro e minigeração distribuída (MMGD) alcançou 35.892 MW de potência instalada, crescimento de 36,6% em relação ao ano anterior.

Desses sistemas, 97% utilizam a energia solar como fonte principal. A maior concentração está nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com destaque para os estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

A geração distribuída tem papel fundamental na descentralização da produção de energia, na redução de perdas elétricas e no empoderamento de consumidores que se tornam também geradores.

Balanço Energético Nacional: um olhar sobre a energia no Brasil

O Balanço Energético Nacional traz uma perspectiva sobre a situação energética do Brasil.

Com os dados de 2024, é possível confirmar a liderança do Brasil na geração de energia a partir de fontes renováveis. Com quase 90% da matriz elétrica limpa, o país avança na direção de uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que amplia o acesso à energia e diversifica suas fontes de geração, atacando muitos de seus problemas particulares.

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