17/08/2026

O que o ONS projeta de cortes de energia de renováveis até 2030?

O que o ONS projeta de cortes de energia de renováveis até 2030?

Entidade prevê que as estratégias de curtailment devem ser a regra do setor nos próximos anos, com um viés de queda até 2030, mas sem o fim do desperdício da produção de eólicas e solares

(Imagem: Pexels)

Também chamados de constrained-off ou curtailment, a situação dos cortes de energia de renováveis deve se tornar uma constante nos próximos anos do Brasil, conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) define no Plano de Operação Energética 2026. Na frequência total deste corte, ele deve sair de 19% das horas em 2027 para 14% em 2030.

Este cenário se tornou tão recorrente que o ONS optou por estabelecer um viés de probabilidade para os próximos anos até 2030. A situação se mostra grave, especialmente aos domingos, quando há uma redução natural da carga de energia associada ao aumento da produção das eólicas e solares em determinados períodos do dia, sobretudo até o início da tarde.

Não à toa, o excesso de energia elétrica no SIN teve o seu primeiro corte registrado em 7 de junho, justamente um domingo. “O curtailment continuará sendo comum na operação do SIN, ocorrendo com maior frequência entre 7 e 15 horas, com maior intensidade aos domingos”, afirma o ONS no PEN. A gravidade e a intensidade desta medida vão depender de alguns fatores, tais como:

– Volume de demanda;

– Inserção de soluções de armazenamento de energia no sistema, a exemplo de baterias BESS e usinas hidrelétricas reversíveis.

Nem mesmo o ONS consegue cravar o cenário, mas ele estabelece os parâmetros que devem ser mais prováveis até o fim desta década.

O que diz a análise sobre o corte de energia de renováveis

Apesar dos fatores que podem interferir no aspecto final, há uma percepção de que o corte de energia de renováveis deve ser expressivo. A chamada safra de ventos, registrada com mais intensidade entre agosto e outubro, deve ampliar o curtailment total médio de 2 GW a 3 GW em todos os anos até 2030.

No entanto, mostra-se que, dentro deste recorte temporal, deve haver uma redução do curtailment por alguns motivos, como o aumento da confiabilidade do sistema pelo aumento da rede de transmissão, ingresso de novas usinas e redução do ritmo de expansão de fontes eólicas e solares integradas ao SIN.

Quais os principais motivos de cortes?

Na Resolução Normativa 1.030/22, a Aneel estabelece uma classificação para o corte de energia de renováveis baseado em sua motivação:

Indisponibilidade externa, normalmente relacionado às falhas da transmissão ou de infraestrutura envolvida dos próprios empreendimentos ou do sistema.

Confiabilidade elétrica: por questões técnicas específicas aos equipamentos das usinas ou conjunto das usinas.

Razão energética: impossibilidade de alocação de geração de energia na carga.

Na avaliação do ONS, o curtailment energético será mais frequente e intenso, somando até 40 GW em todos os anos do recorte. As razões de confiabilidade serão de menor frequência: de 4% a 7% a depender do ano de análise.

No caso de cortes nas primeiras horas da manhã, eles serão consequência de uma demanda baixa com geração eólica em elevados fatores de capacidade. No fim da manhã e início da tarde, a razão envolve a maior produção solar, seja geração distribuída ou centralizada. Em ambos os casos, a falta de capacidade de armazenamento deve gerar o desperdício de energia gerada pelas renováveis.

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