Quem arca com o custo da transição energética?
Pesquisa Ipsos mostrou que a maioria dos brasileiros não está disposto a bancar os custos do aumento da sustentabilidade da matriz de energia
(Imagem: Magnific)
Um sistema energético mais sustentável é visto como fundamental para 93% dos brasileiros consultados por uma sondagem realizada pelo instituto de pesquisa Ipsos. A grande questão é: quem assume o custo da transição energética? Modais como energia eólica e solar já estão bem difundidos na matriz energética brasileira, mas o que acontece se elas forem mais caras?
Para tentar compreender se a população estaria disposta a arcar com o custo da transição energética, o instituto perguntou: “Pensando na sua conta de luz, o(a) sr(a) estaria muito disposto(a), um pouco disposto(a) ou nada disposto(a) a pagar mais caro para garantir que a energia viesse de fontes mais limpas e renováveis?
Apesar de mais de 9 a cada dez brasileiros considerarem importante esta mudança, os resultados provam que a relevância não supera a preocupação com os preços:
– Apenas 19% estariam dispostos a pagar mais caro por uma energia proveniente de fontes mais limpas e renováveis, como a energia de hidrelétricas, eólicas e solares;
– 35% afirmaram que estariam pouco dispostos;
– 34% nada dispostos a pagar mais caro na tarifa de energia.
Ou seja, de um lado há o interesse por garantir uma matriz energética mais sustentável, mas de outro a falta de interesse em ter custos mais elevados para tal. Dessa forma, a questão que fica é: quem vai arcar com o custo da transição energética?
A matriz energética brasileira
Os dados da Aneel mostram que a matriz de energia do Brasil é bastante sustentável. Do total de potência disponível, 77% são de fontes consideradas renováveis, com a hidráulica em destaque, seguida das eólicas e das solares. Entre as de maior potencial de poluição, as usinas térmicas se destacam por assegurar o abastecimento de energia em períodos de escassez hídrica.
Os números da Aneel trazem apenas a capacidade do sistema. A realidade é que, a depender das condições hidrológicas, de ventos e de luz solar, a disponibilidade de energia está bem acima desses 77%. Em 2025, este índice chegou a atingir 88%, por exemplo.
Essa realidade, porém, não se repete no resto do mundo. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que cerca de apenas 15% do que é produzido de energia globalmente vem de fontes consideradas renováveis. Isso implica necessariamente em pensar investigar possibilidades e entender qual será o custo da transição energética, já que haverá a necessidade de mais investimentos.
Os caminhos para a transição energética
Para reduzir a sua dependência da matriz hidrelétrica (e a necessidade de acionamento das térmicas), o Brasil está pensando em alguns caminhos de investimento, que estarão dentro do custo de transição energética. Entre eles:
– A energia oceânica recentemente ganhou força, até mesmo com um projeto de lei sobre o tema;
– Baterias para energia solar e eólica, que diminuem ou acabam com a intermitência desses modais dentro das discussões sobre armazenamento de energia;
– O hidrogênio verde também integra esse vocabulário de novas soluções;
– Lei da energia offshore, que regula a construção e o uso de eólicas em alto mar.
Isso sem contar outros investimentos e possibilidades mencionados nas diretrizes de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), que ainda acrescentam a evolução da energia nuclear, as pesquisas com novos biocombustíveis, entre outras possibilidades.
Mais detalhes da pesquisa Ipsos
Foi realizada a partir de entrevistas pessoais e domiciliares, entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2026. No total, foram registradas 2 mil entrevistas, em 129 municípios brasileiros. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade.
O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
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