20/10/2026

Brasil precisa de R$ 670 bilhões em investimentos em energia até 2040

Brasil precisa de R$ 670 bilhões em investimentos em energia até 2040

Projeção é de um relatório da Aurora Energy Research, que divide os custos em R$ 553 bilhões em geração e R$ 117 bilhões em transmissão

(Imagem: Pexels)

A próxima rodada de investimentos em energia no Brasil deve demandar R$ 553 bilhões em geração e R$ 117 bilhões em transmissão no horizonte até 2040. Estes recursos devem ser direcionados à construção de sistemas mais flexíveis, visando combater os desafios atuais e futuros de volatilidade e curtailment, reflexo da falta de estrutura operacional atual.

Os números são de um relatório sobre energia e armazenamento, realizado pela Aurora Energy Research. Ao todo, até o fim da próxima década, a consultoria projeta a necessidade de um aporte de R$ 670 bilhões, sendo pelo menos 120 GW de aumento de capacidade, acompanhado de melhorias de transmissão, disponibilidade de rede e armazenamento de energia.

Este último deve ganhar protagonismo nos próximos anos, especialmente pelo aumento da geração de eólicas e solares, que demandam novas tecnologias e estrutura para garantir que não haja desperdício energético no país. Até 2030, por exemplo, o ONS já tem uma projeção no corte de energia de renováveis de 14% das horas.

Qual é o impacto do curtailment?

Com uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta, o Brasil precisa assegurar que esta produção realmente se torne uma vantagem estratégica, o que exige evitar o desperdício de energia com investimentos em energia e ajustes de organização. A consultoria defende uma melhor alocação de riscos e de estrutura em acordos de compra de energia entre geradores, compradores e produtores.

Isso se deve ao fato de as renováveis terem se expandido sob a proteção de subsídios, o que incentivou novos aportes, mas acabou criando riscos ao setor. A ameaça mais conhecida ganhou nome e força nos últimos anos: o curtailment ou constrained-off. A expectativa é que as baterias e as estratégias de armazenamento mitiguem esses riscos decorrente de um crescimento em excesso.

De acordo com a visão da Aurora, o Brasil já tem uma volatilidade de preços maior do que no mercado internacional. Embora ainda seja um destino atrativo para players internacionais, maior segurança e previsibilidade tenderiam a trazer resultados ainda mais expressivos.

Como o BESS significa uma nova oportunidade?

Um desses caminhos envolve o Battery Energy Storage System. De maneira simples, o BESS é um estilo de armazenamento de energias renováveis (solares e eólicas), que permitem um controle maior sobre o consumo e a disponibilidade de energia. Por meio dessa solução, ganha-se a capacidade de criar uma reserva estratégica.

A ideia é que a geração, que ganha força nos picos de incidência solar ou de força dos ventos, seja preservada para os períodos de intermitência. Este tipo de solução poderia, inclusive, ganhar modalidades de financiamento mais atrativas, pois se tornariam um porto seguro para os operadores e para o próprio SIN.

A previsão da Aurora é que o BESS e outras estruturas atinjam pelo menos 12 GW de flexibilidade até 2030 – sendo 5 GW de BESS por meio de leilões de capacidade.

Leilões de armazenamento: o caminho mais correto?

Com o problema do curtailment batendo à porta, o país acaba buscando soluções rápidas e de fácil implantação, a exemplo do armazenamento de energia. Normalmente, isso se dá por meio dos leilões de energia, que contratam empresas especializadas para atuar.

Um dos questionamentos de muitos envolvidos no setor de energia é o contexto de urgência em razão do curtailment dificultar o planejamento de outras soluções, que podem levar mais tempo de implantação, mas serem menos eficientes em um médio e longo prazo.

Este é o desafio de muitos gestores públicos do setor energético: ao mesmo tempo, atacar uma frente necessária sem perder de vista novas tecnologias, possibilidades de mercado e fontes de receita que possam ampliar a capacidade de armazenamento.

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