Leilões de energia hidrelétrica: retomada viabiliza 65 novas usinas até 2030
Maior parte dos empreendimentos será do perfil Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), com previsão de entrada em vigor em 2030 e contratos de 20 anos
(Imagem: Freepik)
Após mais de uma década de espera, o setor hidrelétrico brasileiro celebra uma retomada significativa. Em agosto, a Aneel realizou um certame exclusivo para empreendimentos de fonte hidráulica – leilões de energia hidrelétrica –, viabilizando 65 novas usinas e movimentando mais de R$ 5 bilhões em investimentos.
Ao todo, a contratação reuniu a potência de 815,6 megawatts (MW). O deságio – a diferença entre o valor-teto do leilão e o resultado dele – foi de 3,16%, o que deve trazer uma economia próxima a R$ 850 milhões para os consumidores brasileiros.
Estas construções devem trazer um investimento estimado de R$ 5,5 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch).
Os leilões de geração são realizados pela Aneel para adquirir energia elétrica a ser comercializada para distribuidoras e comercializadoras. Estas iniciativas costumam ter três objetivos específicos:
1) Contratar energia pelo menor preço possível, assegurando modicidade tarifária;
2) Atrair investidores para construir novas usinas para expandir a geração, dando segurança energética a mais capacidade ao Sistema Interligado Nacional, o SIN;
3) Reter a geração já existente.
Este tipo de medida da Aneel cria novas oportunidades para as hidrelétricas, um modal que – apesar de ser uma referência no país – enfrentou resistências nos últimos anos. O motivo? A necessidade de construir largos reservatórios para que sejam empreendimentos com maior capacidade de produção e que dependam menos das condições climáticas.
Ao que parece, porém, este cenário está em transformação no Brasil. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou quase 250 projetos para participação, totalizando 2.999 MW de potência. Trata-se de um recorde de potência e projetos hidrelétricos dessas categorias em leilões do gênero.
Ressalta-se que a maior participação de hidrelétricas no SIN traz mais segurança energética ao ampliar a produção de fontes contínuas. O aumento da presença de solares e eólicas é importante do ponto de vista de transição energética, mas gera dificuldades no quesito operacional devido à intermitência.
Leilões de energia hidrelétrica: quais as características dos novos empreendimentos?
As 65 novas usinas se distribuíram da seguinte forma:
– 55 se enquadram no perfil de pequenas centrais hidrelétricas, as PCHs;
– 8 são Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs);
– 2 usinas hidrelétricas.
Dentro deste certame, a projeção é que as usinas estejam prontas e com capacidade para operar em 2030, com entrega de energia por 20 anos a partir de então.
“A contratação de quase 815,6 MW instalados representa uma retomada muito importante para o setor de PCHs, com aproximadamente R$ 8 bilhões em investimentos e quase 50 mil empregos que serão gerados no país”, disse a presidente da Abrapch, Alessandra Torres de Carvalho, ao blog da entidade.
Para que consigam cumprir esta regra, muitos destes empreendimentos terão que superar uma das grandes barreiras do modal hidrelétrico: a demora de licenciamentos. A liberação destas usinas no Brasil costuma levar em torno de 9 anos, conforme a Abrapch.
De acordo com a entidade, o país conta com 1.129 PCHs e CGHs. As PCHs são empreendimentos de 5 até 30 megawatts (MW) de potência. Já as CGHs vão de 1 até 5 (MW), e os seus reservatórios devem ter menos de 13 km² de área.
Usinas hidrelétricas reversíveis ganham força
Um dos caminhos para este tipo de empreendimento são as usinas hidrelétricas reversíveis. A ideia deste tipo de empreendimento é trabalhar com dois reservatórios de água em níveis diferentes de altura.
Em períodos de baixa demanda, usa-se uma bomba para trazer recursos do nível inferior. No momento de consumo de energia, o processo é reverso: ou seja, a água cai, movimentando as turbinas e gerando energia no modo tradicional. Por demandarem reservatórios menores, seriam empreendimentos com licenciamentos mais fáceis – superando uma das barreiras comuns do país.
Mais do que a viabilidade técnica, trata-se de uma solução que se encaixa exatamente no perfil necessário à transição energética. Produz energia limpa, segura, de baixo custo e com menor impacto ambiental.
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