Teste de armazenamento de energia será realizado no Acre
Com investimento próximo a R$ 1 bilhão no sistema e nas linhas de transmissão, medida pode servir de referência para o restante do país
(Imagem: Pexels)
O Acre deve ser palco de um novo teste de armazenamento de energia do país.
Com investimento estimado de R$ 230 milhões, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) visam apresentar alternativas de planejamento para assegurar a confiabilidade do suprimento de energia em municípios do estado, de acordo com um estudo realizado em conjunto.
O propósito da pesquisa é dar mais resiliência ao sistema operacional local e assegurar a continuidade do fornecimento de energia, mesmo com eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas. Vale destacar que o Acre é um dos estados que não está totalmente integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), tendo parte de seu suprimento a partir dos sistemas isolados.
Associado ao teste de armazenamento de energia, a confiabilidade do sistema ainda vai depender de ampliação de linhas de transmissão do Acre, que conectariam Tucumã ao Feijó. O aporte necessário seria de R$ 695 milhões – chegando próximo a R$ 1 bilhão ao todo.
Parte desta expansão engloba o aproveitamento de estruturas já existentes, visando minimizar impactos socioambientais e possíveis restrições construtivas que existem no Norte do Brasil.
Teste de armazenamento de energia como solução
Uma solução de curto prazo para o Acre é a implantação de um Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias (SAEB), com capacidade 100 MW/200 MWh e tecnologia formadora de rede. A tecnologia seria instalada na subestação Cruzeiro do Sul.
“Essas premissas foram adotadas para garantir que o sistema proposto permaneça capaz de atender às demandas das cargas, em sua totalidade, em caso de faltas ou manutenção no sistema de transmissão por um período de duas horas, mesmo na situação de demanda máxima local, durante um período após a entrada da solução estrutural”, diz o estudo da EPE e do MME.
Há alguns anos, o país discute critérios e tecnologias para o armazenamento de energia, inclusive com consultas públicas. Não se trata apenas de acrescentar essas soluções ao SIN ou à gestão de energia brasileira – especialmente com o crescimento dos empreendimentos solares e eólicos –, há a necessidade de estabelecer regulações claras e assegurar a operação eficiente destas soluções.
Por isso, um teste de armazenamento de energia inicial é fundamental para entender o seu impacto operacional e no sistema como um todo.
Mais detalhes sobre a tecnologia grid-forming
A tecnologia adotada é uma função avançada de sistemas de armazenamento de energia, conhecida como grid-forming.
A principal diferença está no fato de que a tecnologia permite não apenas se integrar a uma rede elétrica já existente como sustentar uma estrutura autônoma – uma espécie de ilha – em momentos de falha ou ausência de geração, já que estabelecem a frequência e a tensão da rede.
Embora o teste de armazenamento de energia esteja sendo planejado para o Acre, é provável que possa se tornar uma referência para assegurar a confiabilidade no atendimento em outras localidades do país a depender de seu sucesso. Seria até mesmo uma solução para grandes centros em eventos climáticos extremos, evitando apagões e com fácil integração.
Com ocorrências cada vez mais comuns nas grandes cidades – como a que ocorreu em São Paulo e exigiu novas medidas de fiscalização de energia –, desenvolver estruturas específicas para este fim podem inserir uma nova camada de proteção para todos os envolvidos: das distribuidoras aos clientes finais.
Para mais informações e acesso completo ao estudo, clique aqui. Fique por dentro de outras notícias do setor de energia no Blog da Solfus.